Quando pensamos em marcas famosas, é comum percebermos que muitas empresas utilizam um conjunto de marcas relacionadas entre si, que compartilham elementos visuais ou nominais em comum. Esse fenômeno recebe o nome de “família de marcas”.
O que é uma família de marcas?
Uma família de marcas ocorre quando uma empresa registra e utiliza diversas marcas que apresentam um elemento distintivo em comum – seja uma palavra, um prefixo, um sufixo ou um conjunto visual. Esse padrão cria uma associação imediata na mente do consumidor, fortalecendo a identidade e o reconhecimento da marca no mercado.
De acordo com Deborah Portilho:
No Direito Marcário, o conceito de “família de marcas” é utilizado para identificar grupos de marcas que podem ser reconhecidos pelos consumidores por meio de um elemento em comum que possibilite que esses consumidores não apenas relacionem as marcas de uma mesma família entre si, como também as associem a um único fabricante. Segundo a autora, um exemplo bastante conhecido é o da NESTLÉ, cujas marcas dos produtos da “família” iniciam pelo prefixo NES: NESCAFÉ, NESCAU, NESTON, NESTEA, NESQUIK, NESTOGENO e NESLAC. (PORTILHO. Déborah. Famílias de Marcas e Famílias de Medicamentos: você sabe a diferença? Revista UPpharma nº 159 – Ano 39 – Mar/Abr 2016, p. 60-61. Disponível em: https://www.dportilho.com.br/familias-de-marcas-e-familias-de-medicamentos-voce-sabe-a-diferenca/)
Por que as empresas criam famílias de marcas?
A criação de uma família de marcas não acontece por acaso — ela é parte de uma estratégia de “branding”. Ao repetir um elemento comum em diferentes registros, a empresa constrói um elo imediato entre seus produtos e serviços.
Quanto mais o consumidor vê a raiz ou o elemento central da marca em diferentes contextos, mais forte se torna o reconhecimento da empresa. Além disso, novos produtos lançados sob a mesma “família” se beneficiam da reputação já conquistada pela marca-mãe.
Esta estratégia permite diversificar o portfólio sem precisar “começar do zero” no mercado a cada novo lançamento de um produto ou serviço.
Como proteger uma família de marcas no Brasil?
No Brasil, a proteção de uma família de marcas depende do registro junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Para garantir a segurança, cada sinal deve ser registrado de forma individual, ainda que seja apenas uma variação da marca principal ou da chamada marca-mãe.
Da mesma forma, é essencial definir claramente qual é o elemento comum que une essa família — seja uma palavra, um prefixo, um sufixo ou um traço visual — e assegurar que esse núcleo distintivo também esteja protegido por registro.
Portanto, se sua empresa planeja expandir o portfólio, adotar desde cedo uma estratégia de gestão e proteção por meio de uma família de marcas pode ser decisivo. Essa abordagem fortalece o posicionamento no mercado, assegura proteção jurídica e aumenta a confiança do consumidor.
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Autora:
Flávia Cristina Lazzarin | LinkedIn
Advogada (OAB/PR 115150). Mestre em Propriedade Intelectual
